Estou certo destas coisas que vêem:
que o mundo não será sempre o mesmo
e que, assim mesmo, não serei ninguém.
Sou, embora um pouco poeta,
esse desmotivado pela história,
esse produto da inutilidade completa.
E, a quem me defina por ousadia,
saberei dizer se não sou
o que dizem ser eu dia-a-dia.
As tentativas (inclusive as que só premeditei)
como prova real do fracasso,
por questão, transcrevi. E enumerei.
Mas, e peço que não tenhas inveja,
as belezas que vejo nas minimices
são o que me mantém sempre alerta.
Meu prazer de escancarar todas as cores,
de observar as nuvens de algodoar sonhos
em manhãs de iluminar amores.
Meu pesar de suor, que me retorce cansado,
porém, que não me submete à boçalidade
e me faz valorizar cada minuto privado.
E esses meus minutos, que transformo em eternos,
que me escrevem poemas
de matar, de morrer, de tão-belos.
Como nunca me pensei, nem me dei por fé.
Mas, que bom é poder, na impossibilidade de ser
quem você quer ser, ser, simplesmente, quem você é!
terça-feira, 1 de abril de 2008
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