Não posso escrever poemas.
Não sou desses de amar vidas.
Sou desses que a desprezam,
que não vêem sua dimensão.
Quero não ser todo glória.
Sei que não sou tão querido,
que há um tanto de costume no tudo
e que amanhã não passarei de lembrança.
Sou cheio disso. Estou farto!
Não me admiro sequer entre parênteses.
E há interveniência. Mesmo sem parênteses.
Mesmo sem apostos, sem polícia.
Como disse: cheio disso. Farto!
Entre as crassas curvas do meu destino,
no dorso desse ridículo adjetivo história,
toda honra e toda glória...
Dos apelos gélidos de uma voz inexistente,
um choro vermelho de lágrimas condensadas e
um cheiro de rosas acumuladas,
como conheço desde criança.
Um trincar de dentes,
com enjôo mais forte e, então,
...vou suprimir a última frase.
Por isso não sirvo para poemas.
domingo, 8 de março de 2009
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